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Nós, fiscais, somos pela cidade. Quem será por nós?

29 de agosto de 2012 em Artigos

“O fiscal apresenta-se como o elo entre o direito de uma cidade digna e uma gestão competente e comprometida.”

FISCALIZAÇÃO

Tainá Vieira
Fiscal municipal da Prefeitura de Fortaleza

Fortaleza vivencia um momento de reorganização do espaço urbano para os grandes eventos culturais e esportivos que possuem o Brasil como sede. Para isso, diversos órgãos buscam parceria com a fiscalização para levar ao conhecimento dos cidadãos o limite do direito de uso do bem público e a obrigação de respeito ao que é de todos.

Solidários à cidade, os profissionais da fiscalização trabalham para compensar a falta de investimento na educação urbanística e ambiental e para prevenir a usurpação do espaço público. O fiscal apresenta-se como o elo entre o direito de uma cidade digna e uma gestão competente e comprometida com a cidade e o bem-estar de sua população. Porém, além da dificuldade enfrentada pela antipatia daqueles que desconhecem as leis, ou pela anulação do seu trabalho pela política viciada em desfazer o que é certo em troca de voto e de benefícios, o fiscal esbarra no desinteresse pela valorização do seu trabalho.

Recentemente, com a entrada de novos servidores na fiscalização, a produtividade foi valorosamente acrescida, mas isso não resultou em mais cidadãos punidos, mas em mais calçadas e estabelecimentos adequados, construções seguras, padrões ambientais e de higiene sanitária respeitados, ou seja, a possibilidade de um serviço público melhor e mais eficiente.

Entretanto, o desejo dos fiscais de fazer a diferença tem encontrando barreiras desmotivadoras no desinteresse da gestão em criar um ambiente de trabalho mais justo, visto que a vida, a segurança e a integridade física do fiscal são comprometidas pela ausência das equipes de segurança no município nas ações diárias de fiscalização em zonas comprovadas de risco. Sem fazer jus ao benefício do risco de vida ou à insalubridade que deveria ser garantida aos profissionais da vigilância sanitária que são expostos a situações de risco.

Os fiscais trabalham pela cidade, pela população e para a gestão. E quem trabalha pelos fiscais quando eles são difamados por desconhecedores das leis, ou confundidos com terceirizados com coletes da fiscalização? O desconhecimento de que o colete apenas confere aos terceirizados a missão de apoiar a ação fiscalizadora e de que a aprovação em concurso público é que garante a competência legítima à fiscalização sustenta maus julgamentos.

Portanto, ao fiscal sobram golpes de desmotivação que tentam arrancar da fiscalização honesta e comprometida a essência do que ela é: ato público de amor ao próximo, onde o fiscal cuida melhor daquilo que é de todos do que daquilo que é só seu. Não se deseja ter uma cidade melhor cuidada?

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